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Piratas da Armação |
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A variedade e a beleza dos corais naturais
de nossas praias, ao longo do tempo vêm sendo ameaçada pela pesca
predatória. Embarcações com suas redes de arrasto passam a menos de 200
metros da costa peneirando o fundo do mar, destruindo a fauna e a flora
submarina.
Com a intenção de criar uma área de proteção e respeito à natureza, foram desenvolvidas por um grupo de amigos da cidade, estruturas pré-fabricadas de concreto, ferro e telha que, levadas ao mar, servem como obstáculos para as redes. Essas estruturas vêm sendo colocadas em uma área específica desde 1992, dificultando essa atividade ilegal dos arrastões. As primeiras peças não apresentavam lastro suficiente e, inicialmente, eram facilmente quebradas e removidas. Observando o funcionamento dessas redes concluímos que as peças não poderiam ser retentivas para que cabos e redes não prendessem nos recifes artificiais. Desenvolvendo uma tecnologia toda própria, refizemos os módulos, desta vez unindo uns aos outros para obter fixação e peso. Passamos a produzir estruturas de formato piramidal de base quadrangular e pentagonal que apresentaram excelentes resultados. Atualmente esses recifes artificiais
estão envolvidos por corais naturais e em perfeita sintonia com a
natureza, cumprindo sua função de proteção. Além disso, estão repletos de
tocas que servem de abrigo para peixes e outros animais marinhos,
beneficiando o Recifes Artificiais Marinhos dos Piratas da Armação – Uma proposta de preservação e conservação do parcel da praia do Canto O programa tem com objetivo criar ecossistemas artificiais semelhantes aos substratos rochosos, com a fixação de módulos pré-fabricados de concreto e telhas, aderindo e atraindo organismos marinhos e peixes e contribuindo para a conservação da biodiversidade e dos recursos pesqueiros através da criação de áreas de proteção. Histórico Em 1988 , fui convidado para fazer um mergulho de apnéia com um amigo pescador, nas costas marítima de Búzios e fiquei fascinado com os recifes. Ao final do mergulho expressei minha admiração pela beleza dos corais ali existentes, e tive com resposta que no passado era realmente lindo, mas que devido aos barcos de arrastão e vandalismo dos turistas de quererem levar os corais como lembranças, o fundo do mar estava destruído e que os peixes já não eram em grandes quantidades. Em 1992, convidei uma amiga para fazer o mesmo mergulho de apnéia que ao final agradeceu dizendo estar encantada com a beleza dos corais. De imediato, teve a mesma resposta: “Já foi lindo”. Comecei a imaginar com deveria ter sido na época do meu amigo pescador e algo deveria ser feito para preservar o fundo do mar. Com amigos que gostavam de mergulhar e preocupados com as condições dos recifes naturais, decidimos fazer algo para protegê-los das redes de arrasto. Era preciso desenvolver recifes artificiais com características naturais usando materiais que não agredissem a natureza. Construímos vários pequenos módulos de concreto com vasos de cerâmicas e telhas, com a finalidade de servir como obstáculo dos arrastões e habitat de lagostas e polvos. A experiência foi válida pôr um período, mas não deu certo, pois os módulos não apresentavam lastro suficiente para impedir as redes de arrastão. Começamos a refazer os módulos de concretos, mas desta vez unidos uns aos outros para obter união, fixação e peso, mas notamos que mesmo fixada e com peso a força de tração da rede era suficiente para destruir e remover os recife artificiais. Observando como é o funcionamento da rede de arrasto, concluímos que era preciso desenvolver peças não retentivas, para que os cabos e as redes dos arrastões não se fixassem nos recifes artificiais. A fórmula encontrada e aprovada foi elaborar as peças em forma piramidal com base quadrangular e pentagonal. Atualmente esses recifes artificiais estão envolvidos por corais naturais e em perfeita sintonia com a natureza e cumprindo a sua função de proteção na reconstituição da flora e da fauna marinha, que foi sensivelmente abalada com o adensamento urbano, caça predatória de peixes e elementos naturais do fundo do mar e apresentando excelentes resultados. Produção Feitos com o objetivo de proteger os recifes marinhos da pesca predatória (redes de arrasto) e preocupação de evitar o emprego de materiais poluentes foram utilizadas estruturas pré-fabricadas de concreto e telhas, utilizando um cimento apropriado, por apresentar alta resistência e qualidade ambiental (ph compatível ao do ambiente marinho). Para se formar a estrutura dos corais artificiais, foi preciso desenvolver uma tecnologia toda própria onde são utilizados: telha, arame e vergalhão de ferro, cobertos por cimento e com uso de plástico como isolante no momento da construção, o módulo apresenta diversas aberturas de vários tamanhos tornando-se um excelente abrigo para os peixes, além de manter o fluxo de água que facilita a adesão da flora marinha e permite uma boa fixação no fundo de areia, além de não agredir visualmente e contribuir para o paisagismo submarino. Benefício sócio-econômico A implantação do projeto Rampa vem preservando e protegendo em curto, médio e longo prazo a fauna e a flora marítima da região, aumentando a biomassa pesqueira devido ao desenvolvimento de ambientes de refúgio e alimento em fartura, dificultando a pesca predatória e criando opções aos pescadores artesanais (redes de espera, pesca de linha e outros), beneficiando também o ecoturismo e as atividades ligadas a pesca esportiva e ao mergulho, transformando o parcel da praia do Canto mais atrativo para estas atividades.
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